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A boca abertaExibia o último sorriso.- Partiu dessa pra melhor.E o novo sinal na faceServia de tatuagemPara corroboraçãoDo derradeiro atestado.A noite segue frescaE o cadáver também.Claytonabr.2010
Começa novamente a devoção:ESCREVER PARA NINGUÉM.Olhos espremidos na parca faixa de luz.O tronco curvado,A mão cansada,O tronco pesado.Escrever para que?O pensamento já está confuso,O peito já foi gasto,Certeza do ato insensato.E o silêncio compondo a trilha sonora.Desiste, solitário companheiro.Tua voz já está rouca,Tua orelha está mouca,Tua mão não tem mais tato.Terminou o atocontato entre tinta e substrato.Ausência de um parto.Agora, de fato,Acabou-se o extrato.ClaytonRecife, fev. 2010.
Dizalenda que havíamos. Em uma terra distante e utópica, um universo paralelo onde a música com conteúdo tem importância, gritávamos nossos be-a-bás musicoliterários a ouvidos poucos.Dizalenda que resistiríamos. Que de dentro daquilo tudo, transbordava a espuma densa e imprecisa da poesia. Que todas as florestas negras, com seus sons horripilantes, dispersariam uma névoa de dúvida, para confundir os olhos daqueles mais desavisados. Que haveria deglutição do som, digestão das letras e assimilação dos "musicocerebronutrientes".Dizalenda que resistiremos.
Ah, tá!Não sei o que faz diferença Quando se está acordadoNas madrugadas secas e solitárias.Os lábios prendem o riso,Por não acreditar em outra coisa.Comédia sem graça.Humor negro.Eu sou filho do preconceito.Dizalenda