sexta-feira, 27 de maio de 2011

DIZ A LENDA

Diz a lenda que existiu um lugar
Onde os sonhos eram compatrilhados
E a realidade não era tão cética.
Nesse lugar haviam gatos escarlates
Com seus pulsos pulsantes que
Preferiam um jantar nefasto a um doce despertar.
O Louco corria à caça da sonsa donzela
Que buscava alforria...e vice-versa.

Diz a lenda muito mais.
Mas histórias acabam.
Fim.

terça-feira, 6 de julho de 2010

A boca aberta
Exibia o último sorriso.
- Partiu dessa pra melhor.

E o novo sinal na face
Servia de tatuagem
Para corroboração
Do derradeiro atestado.

A noite segue fresca
E o cadáver também.

Clayton
abr.2010

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Começa novamente a devoção:
ESCREVER PARA NINGUÉM.
Olhos espremidos na parca faixa de luz.
O tronco curvado,
A mão cansada,
O tronco pesado.
Escrever para que?
O pensamento já está confuso,
O peito já foi gasto,
Certeza do ato insensato.
E o silêncio compondo a trilha sonora.
Desiste, solitário companheiro.
Tua voz já está rouca,
Tua orelha está mouca,
Tua mão não tem mais tato.
Terminou o atocontato entre tinta e substrato.
Ausência de um parto.
Agora, de fato,
Acabou-se o extrato.

Clayton
Recife, fev. 2010.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Diz. Dizia. Dirá?

Dizalenda que havíamos. Em uma terra distante e utópica, um universo paralelo onde a música com conteúdo tem importância, gritávamos nossos be-a-bás musicoliterários a ouvidos poucos.

Dizalenda que resistiríamos. Que de dentro daquilo tudo, transbordava a espuma densa e imprecisa da poesia. Que todas as florestas negras, com seus sons horripilantes, dispersariam uma névoa de dúvida, para confundir os olhos daqueles mais desavisados. Que haveria deglutição do som, digestão das letras e assimilação dos "musicocerebronutrientes".


Dizalenda que resistiremos.